Para entendermos o candomblé, a umbanda e outras religiões africanas, sem preconceitos, devemos conhecer primeiro a origem destas manifestações culturais e religiosas.
A primeira expedição colonizadora chegou ao Brasil em 1532, dando inicio à escravatura, que se desenvolveu em solo brasileiro em função da estrutura econômica e social do regime colonialista. A principio os índios foram à mão-de-obra escrava mais usada. Em seguida, começaram a chegar ao Brasil os primeiros escravos vindos da África.
Alguns autores datam a chegada dos primeiros escravos em 1532, com a expedição de Martim Afonso de Sousa. Já outros estudos defendem a chegadas dos escravos negros em 1550.
Independente de datas, o fato é que os navios negreiros aqui chegaram e fizeram do tráfico de escravos a atividade mais lucrativa do comércio exterior brasileiro, dando forças ao cultivo do açúcar, do fumo, do algodão, da economia mineradora e do serviço doméstico.
Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos negros. Os iorubanos - um dos grupos étnicos da Nigéria, resultado de vários agrupamentos tribais, tais como Keto, Oyó, Itexá, Ifan e Ifé, de forte tradição, principalmente religiosa - nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas de orixás.
Mesmo após os portugueses obrigarem os escravos a converterem-se ao cristianismo, os negros continuaram a cultuar seus orixás.
Quando os negros dançavam para seus orixás, eles colocavam sobre o "assentamento", estátuas de santos católicos para enganar os inquisidores.
Como eles cantavam aos seus orixás em seu próprio dialeto, os padres e fazendeiros, tinham a ilusão que os escravos louvavam os santos católicos na linguagem yorubá (dialeto africano). Mas na verdade, estavam usando as imagens destes santos para esconder em seu interior, suas obrigações e verdadeiras simbologias dos orixás.
Os negros só usavam as imagens católicas no propósito de esconder suas obrigações e em hipótese alguma, os negros cultuavam os santos católicos como orixás.
Dentro da cultura africana, os orixás significam a força na natureza, cada um deles representa uma força; como o mar, os rios, as matas, a cachoeira e etc.
Os negros assimilaram muito bem os ensinamentos dos senhores brancos, utilizavam as imagens católicas comparando-as aos orixás pela aparência ou feitos. Assim, Oxalá passou a representar Jesus, Oxum à Nossa Senhora da Conceição, Iansã à Santa Bárbara e assim por diante.
O sincretismo que existe entre as duas religiões se originou da necessidade dos negros cultuarem seus orixás sem serem torturados ou mortos. Esse foi o artifício usado por eles para enganar os colonizadores europeus.